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CULTURA

Professora da UFSC vence prêmio Jabuti com tradução de James Joyce

Publicado em 06/12/2023


Fotos: Divulgação
Professora da UFSC vence prêmio Jabuti com tradução de James Joyce



O resultado foi divulgado na noite desta quinta-feira, 5 de dezembro.

A professora Dirce Waltrick do Amarante, do curso de Artes Cênicas  e da Pós-Graduação em Estudos da Tradução e um grupo de autores do Coletivo Finnegans venceu o prêmio Jabuti na categoria Tradução com a obra Finnegans Rivolta, do romancista e poeta James Joyce. A docente foi a organizadora da obra e tem livros publicados na área de tradução, teoria literária, teatro e literatura infantil e juvenil. “Prêmios dão visibilidade ao trabalho, à proposta de trabalho. Não é a primeira vez que sou premiada por trabalhos que envolvem tradução e James Joyce – tenho alguns livros publicados a respeito do autor e de sua obra. Mas é a primeira vez que sou premiada coletivamente e isso me deixa bastante feliz”, comenta.

A professora explica que o projeto de uma tradução coletiva era antigo. Ela começou a estudar Joyce e mais especificamente esse romance/poema, no início dos anos 2000, e percebeu que era um projeto que tinha tudo a ver com o coletivo. “Primeiro, porque o grande protagonista do romance é alguém conhecido como HCE, Here Comes Everybody, todos estão incluídos (numa interpretação mais abrangente). Segundo, porque o romance narra a ‘história da humanidade’, segundo o autor, e, para ele, a história era como a brincadeira do telefone sem fio, ou seja, um conta algo no ouvido do outro e no final surge uma história nova. A proposta era cada tradutor contar sua versão da história, pois traduzir é antes de tudo ler e interpretar, e nunca há, pelo menos nas ciências humanas, uma única interpretação para os fatos”, explica a organizadora da obra.

Dirce comenta que esse projeto de tradução coletiva foi gestado por muito tempo, mas que queria achar o grupo certo. “Por fim, achei. É um grupo heterogêneo: formações diferentes, gerações diferentes, mas todos entusiastas das vanguardas. Trabalhar em grupo é algo que o Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução sempre incentivou. Sou também professora do curso de Artes Cênicas, no qual o trabalho em equipe é uma constante. É importante o coletivo, todos os coletivos! No que tange à tradução, não acredito que seja um trabalho isolado”, reitera.

Editado pela Iluminuras, o livro é uma tradução coletiva empreendida pela professora desde 2016.”Cada tradutor ficou responsável por um ou mais capítulos do livro. As traduções foram feitas quase ao mesmo tempo e, idealmente, cada tradutor contou a sua versão da história para os outros”, contou, em texto divulgado pela editora. “Portanto, há muitas vozes nesta tradução, muitos pontos de vista e diferentes interpretações da história joyciana. Se uma voz masculina ‘começa’ narrando a história (que não tem começo, meio nem fim, pois é circular), é uma voz feminina que ‘termina’ o livro.

Os tradutores são todos estudiosos de Joyce ou das vanguardas de um modo geral. “Cada um traz uma bagagem cultural que se revela em suas escolhas tradutórias. Há capítulos mais solenes, outros mais descontraídos; alguns mais enfaticamente eróticos, outros menos; e há também capítulos que destacam a história na Irlanda de Joyce, da época de Joyce, e outros que mesclam a história da Irlanda com a do Brasil contemporâneo”, explica.

O Coletivo Finnegans é formado por Afonso Teixeira Filho, Andréa Buch Bohrer, André Cechinel, Aurora Bernardini, Daiane Oliveira, Dirce Waltrick do Amarante, Fedra Rodríguez, Luis Henrique Garcia Ferreira, Sérgio Medeiros, Tarso do Amaral, Vinícius Alves e Vitor Alevato do Amaral.

Ainda conforme texto da organizadora, este é um livro que exige uma outra forma de leitura, que não aquela a que os leitores em geral estão acostumados. “Ele pede um leitor performático, que cante suas linhas, que não se preocupe em ‘entender’ o todo, pois o livro é feito de fragmentos, é uma colcha de retalhos, cada retalho tem característica e história próprias, cada palavra é um cosmo ou ‘caosmos’, como se lê na página 118, em tradução de Daiane Oliveira. Então, escutemos Joyce de olhos abertos”, recomenda.



Com informações de AGENCIA UFSC








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