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VARIEDADES

Autismo: diagnóstico precoce é fundamental para o desenvolvimento da criança

Publicado em 19/04/2021

Divulgação
Autismo: diagnóstico precoce é fundamental para o desenvolvimento da criança

Andrea Rigotti Vendruscolo é psicopedagoga e coordenadora da rede de atendimento ao autista no município de Maravilha


Abril Azul: mês voltado à conscientização da sociedade sobre o autismo



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Caracterizado principalmente por acarretar prejuízos no desenvolvimento da socialização e da comunicação verbal e não verbal da criança, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) atinge atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 em cada 160 indivíduos. No Brasil, estima-se que o número de pessoas com esta condição chegue a 2 milhões. 
 

Diagnóstico precoce

A  psicopedagoga e coordenadora da rede de atendimento ao autista no município de Maravilha, Andrea Rigotti Vendruscolo, é mãe de um portador do transtorno. O envolvimento com o autismo aconteceu há 12 anos, de forma abrupta, em meio a uma série de compromissos pessoais, e foi ocasionado pela identificação do transtorno no filho João Pedro, à época com 3 anos.

“Quando veio o diagnóstico do João Pedro eu estava na metade do meu mestrado e o autismo veio da pior forma possível. Ele parou de falar, parou de comer e não aceitava nem tomar água. É como se tivessem apagado uma parte da bagagem que ele tinha com 2 anos e pouco. Ele perdeu tudo.”

Conforme Andrea, naquele tempo havia pouca informação sobre o autismo e, apesar de João Pedro ter tido até aquele período um desenvolvimento compatível com de qualquer outra criança da sua idade, o transtorno já poderia ter sido identificado de forma mais antecipada, tendo em vista que cerca de 97% dos casos têm origem genética.

Atualmente com 15 anos, João Pedro ainda apresenta dificuldade de fala, que poderia começado a ser trabalhada,  segundo disse, caso o diagnóstico fosse feito com mais antecedência. 

“A gente perdeu muito tempo. Hoje, 3 anos de idade já é considerado muito tarde para o diagnóstico, pois já se vê hipótese de isto ser feito com meses de vida, com base na análise da questão do comportamento social da criança. Ela vai perder muita coisa se você esperar até os 3, 4, 5 anos para diagnosticar ou colocar em terapia.”

Ela ensina que os pais devem ficar atentos a sinais que podem indicar autismo na criança, como a recusa em manter contato olho a olho com a mãe, a preferência por brincar sozinha e movimentos estereotipados (repetitivos), com o próprio corpo ou objetos.

Capacitação de profissionais

Outro problema apontado por Andrea foi a falta de conhecimento sobre TEA entre a sociedade em geral e também de profissionais especializados, sobretudo em terapia ABA – também conhecida como Análise do Comportamento Aplicada – muito utilizada no tratamento do transtorno.

Para contornar a situação, ela própria teve de buscar o conhecimento necessário.  “De lá para cá fizemos milhares de terapias e eu fiz milhares de cursos na área. Fiz duas psicopedagogias, outras especializações, e hoje curso Psicologia. No final do ano também me formo analista de comportamento.”

O resultado no tratamento do filho teve bons resultados. “Hoje o João Pedro vem bem, ele está em processo de alfabetização, mas porque a gente tem supervisão e trabalha com análise do comportamento aplicado.  Ele entende tudo o que a gente diz e tem comportamentos funcionais para o esperado, mas é um repertório pobre ainda para um adolescente.”

Como o autismo não tem cura, a ênfase acontece no tratamento para reduzir as características negativas que podem estar associadas, tais como hiperatividade, agressividade, baixa tolerância a sons, e promover o desenvolvimento das capacidades cognitivas e aprendizagem em geral.

Neste sentido, ela destacou a importância da aprovação de uma lei na Assembleia Legislativa que determina que as unidades de ensino disponibilizem um segundo professor  nas salas de aula para o auxílio do estudante com alguns tipos de deficiência, entre as quais o autismo com sintomalogia exarcebada.

Andrea observou, entretanto, que apesar da garantia legal, a iniciativa ainda precisa passar por alguns ajustes para que possa promover benefícios mais efetivos para as crianças autistas. 

Na sua visão, os segundos professores deveriam ter melhor capacitação técnica sobre TEA, com cada profissional sendo destacado para acompanhar um mesmo grupo de alunos por diversos anos, de forma a atender a necessidade do autista de manter vínculos.

“As crianças vão crescendo e se tornando adolescentes e o profissional não vai mudando o manejo. A gente também tem um profissional,  ou um segundo professor, que troca todo ano, então nem dá tempo de formar vínculo. Isso precisa ser repensado porque o vínculo é extremamente importante para o autista.” Diante dessas especificidades funcionais, disse, os segundos professores deveriam ser transformados pelo Estado em uma categoria específica dentro do magistério estadual, com um plano de cargos e salários próprios.

 



Com informações de AGENCIA ALESC

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